…As nuvens negras que andaram tanto tempo sobre a minha cabeça (no meu peito, sobre o meu coração) parecem ter desvanecido. O céu não está azul (acho que nunca mais voltará a estar) nem brilha o sol, mas o cinzento do meu céu está mais clarinho…
Para aqueles que lêem este blog pela primeira vez, aqui fica o resumo do que me deixa assim:
Em 2003 fui mãe do Menino mais lindo “que deus ao mundo deitou”.
Nasceu a 3 de Janeiro, graças a um médico carniceiro que
com “o toque” e um empurrão na minha barriga,
encheu de trabalho os colegas de serviço durante a noite.
O pior foi que o Rafael não deve ter gostado nada desse toque,
e menos ainda gostou do empurrão,
porque logo a seguir já não se deixou ouvir no CTG,
e passadas doze horas só conseguiu nascer porque era um lutador.
E foi assim que viveu durante os cerca de dois anos seguintes:
lutando contra a paralisia cerebral que resultou do parto.
Fisioterapia, terapia da fala, natação, exercícios físicos
diários, de estimulação motora e sensorial, acupunctura,
osteopatia e ainda uma dieta“esquisita” (dieta cetogénica) para controlar o síndrome de west (um tipo de epilepsia).
Apesar disto tudo, eu não trocava o meu Filho por nenhum outro,
tinha muito orgulho nele, dava graças a deus por o ter,
fazia tudo por ele, amava-o,
AMO-O como nunca pensei ser possível amar…
E depois, de um dia para o outro,
sem ninguém o esperar, o Rafael não acorda…
Só tem um fiozinho de sangue no nariz, mais nada.
Aparentemente dorme…
…Disseram-me que foi um vírus, inofensivo para qualquer
outra criança, fatal para ele…
E pronto!
É por esta merda toda que o meu céu está sempre escuro e o meu sol nunca brilha…
(O que eu chamo “merda toda” é só o ultimo parágrafo, porque até aí valeu a pena; a minha vida toda já valeu a pena só por ter vivido estes quase dois anos com o meu Anjinho…)
Amo-te muito, Rafael!!!
Sempre…