Saturday, September 12, 2009

Espero que resulte…

Fiquei tão triste quando vi que tinha desaparecido o blog dedicado ao meu filho. Não estava actualizado porque falava de uma vida pequenina, de nem dois anos, terminada abruptamente há quase cinco.
Foi para mim como uma terapia, e serviria para manter viva a memória do meu Rafaelito, bem como para, um dia, “apresentá-lo” aos irmão que viesse a ter.
Pois bem, esse dia chegou, nasceu há dois meses esse irmão e quando eu venho para ver o blog, deparo-me com…nada!
Agora estou a escrever este post para ver se assim, de alguma forma, possa voltar o blog… Espero que resulte…
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Saturday, November 18, 2006

sorrir?…

Posted by carlafeitor in 16:49:37 | Permalink | Comments (6)

Thursday, October 5, 2006

Não te esqueço, nunca, nem ao Avôzinho, que fazia ontem anos….
Amo-te tanto!

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Tuesday, November 8, 2005

A mãe está quase a fazer anos…

 

O que costumava ser um mês de comemoração, um mês que a mãe adorava, é, de há um ano para cá, um mês detestável, que eu apagava do calendário, se pudesse…

 

     

 

 

  Tenho tantas saudades tuas, Filho,

Amo-te tanto!…

 

 

Posted by carlafeitor in 23:02:47 | Permalink | Comments (11)

Thursday, October 27, 2005

Amainou…

…As nuvens negras que andaram tanto tempo sobre a minha cabeça (no meu peito, sobre o meu coração) parecem ter desvanecido. O céu não está azul (acho que nunca mais voltará a estar) nem brilha o sol, mas o cinzento do meu céu está mais clarinho…

 

Para aqueles que lêem este blog pela primeira vez, aqui fica o resumo do que me deixa assim:

 

 

Em 2003 fui mãe do Menino mais lindo “que deus ao mundo deitou”.

Nasceu a 3 de Janeiro, graças a um médico carniceiro que

com “o toque” e um empurrão na minha barriga,

encheu de trabalho os colegas de serviço durante a noite.

O pior foi que o Rafael não deve ter gostado nada desse toque,

e menos ainda gostou do empurrão,

porque logo a seguir já não se deixou ouvir no CTG,
e passadas doze horas só conseguiu nascer porque era um lutador.

 

E foi assim que viveu durante os cerca de dois anos seguintes:
lutando contra a paralisia cerebral que resultou do parto.
Fisioterapia, terapia da fala, natação, exercícios físicos

diários, de estimulação motora e sensorial, acupunctura,

osteopatia e ainda uma dieta“esquisita” (dieta cetogénica) para controlar o síndrome de west (um tipo de epilepsia).

 

Apesar disto tudo, eu não trocava o meu Filho por nenhum outro,

tinha muito orgulho nele, dava graças a deus por o ter,

fazia tudo por ele, amava-o,

AMO-O como nunca pensei ser possível amar…

 

E depois, de um dia para o outro,
sem ninguém o esperar, o Rafael não acorda…

Só tem um fiozinho de sangue no nariz, mais nada.

Aparentemente dorme…

…Disseram-me que foi um vírus, inofensivo para qualquer

outra criança, fatal para ele…

 

 

E pronto!

É por esta merda toda que o meu céu está sempre escuro e o meu sol nunca brilha…

 

(O que eu chamo “merda toda” é só o ultimo parágrafo, porque até aí valeu a pena; a minha vida toda já valeu a pena só por ter vivido estes quase dois anos com o meu Anjinho…)

 

Amo-te muito, Rafael!!!

Sempre…

 

 

Posted by carlafeitor in 01:05:20 | Permalink | Comments (12)

Thursday, October 20, 2005

Ainda cá estou…

…mas como nada nesta vida faz sentido, nem tenho escrito nada, aqui neste blog dedicado ao meu Filho… Ainda por cima esta treta “apagou” as fotos que aqui tinha dele e os senhores do apoio (do blog), que nem falam português, ainda não deram resposta ao meu pedido de ajuda.

De qualquer modo, agradeço áqueles que por aqui têm passado, é muito importante para mim saber que conhecem o Rafael, apesar de ele já cá não estar…

(Mas estás para sempre no coração da mãe, Filho! Amo-te muito!)

Posted by carlafeitor in 16:21:52 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, August 18, 2005

nove

Rafael,

 

O ano passado, por esta altura, estávamos de férias. Nós dois, o pai e os avós. Fomos para a zona de Avô (perto de Oliveira do hospital e Arganil).

Ficámos num apartamento no Parque de Campismo das 3 Entradas. Tu dormias na cama connosco mas já não me lembro se ficavas ao meio ou se eu tinha medo que o pai te magoasse, durante o sono, e te deitava na ponta…

Dava-te banho num alguidar, dentro do poliban. Era meio difícil para mim, mas acho que tu gostavas. Sempre gostaste muito de água…

Hoje pergunto-me porque razão não te banhei nesses rios por onde passámos… No próprio parque de campismo passa um, fomos a banhos também a Côja, a Avô, a Fraga da Pena e eu arrependo-me tanto, tenho tanta pena de não te ter levado para dentro de água comigo… Mas aquelas águas são geladas e além disso, a mãe nunca pensou que aquele verão, o ano passado por esta altura, fosse o ultimo em que teríamos oportunidade de nadar juntos…

 

Apesar disso, sei que gostaste dessas férias, as primeiras (e únicas) que tiveste. Além do ar bem-disposto com que andavas, os avós puseram-te a rir à gargalhada. Foi uma das raras vezes em que isso aconteceu e infelizmente a mãe não estava ao pé. Por sorte eles conseguiram tirar a fotografia: tenho esse momento à cabeceira da cama mas já não te tenho a ti, Filho. E sinto tanto a tua falta…

 

 

Hoje faz mais um mês…

Mais um mês de vida de merda, inútil, mais um mês de saudade, da dor da tua ausência.

Menos um mês para ti, Filho, menos um na tua vida, que não ia ser fácil – eu sei!… – mas ia ser feliz, cheia de amor.

Este já é o nono mês que te roubam…

 

Nestes nove meses a Mãe Natureza não nos surpreendeu com nenhuma tempestade, terramoto ou tsunami, a Terra não foi atingida por nenhum meteorito digno de registo, nenhuma doença mortal dizimou a população humana, o nosso país não sofreu nenhum atentado terrorista, a seca que atravessamos não é tão extrema que morramos todos à sede, nenhum incêndio, apesar de tudo, ameaçou a nossa vida.

Nestes nove meses não aconteceu nada que me fizesse dizer: “Ainda bem que o meu Filho não tem que passar por isto!”. Nada!… Nada que justifique a injustiça que nos fizeram ao levar-te de mim.

 

AMO-TE MUITO, MUITO, MUITO,

AMO-TE TANTO E JÁ NÃO POSSO BEIJAR-TE,

ABRAÇAR-TE, CHEIRAR-TE,

VER-TE CRESCER…

 

 

Posted by carlafeitor in 00:08:47 | Permalink | Comments (3)

Sunday, July 17, 2005

Porquê?…

 

 

Rafael,

 

Enquanto via um documentário sobre o Bob Marley, a mãe pensava: porque é que o Bob Marley morreu? Era músico, um gajo fixe e morreu doente. Martin Luther King, pastor que lutava pelos direitos humanos, foi assassinado, assim como John Lennon, que cantava a paz e o amor. Carlos Paião, médico, além de cantor, morreu num acidente; Zeca Afonso, cantava a liberdade, morreu doente.

Os amigos da nossa avó, D. Edlena e o Sr. Walters, tão bons, amigos dos seus amigos, novos ainda; também a Lakshmi e o marido, jóias de pessoas, ela tão sábia, sempre com uma palavra amiga, sempre com um bom conselho, naquele acidente estúpido, em férias; aquela menina no Algarve, assassinada pela própria mãe; a minha amiga Florbela, há mais de 20 anos, aos 12, num acidente de comboio, ela também era tão linda, tão jovem, a vida inteira pela frente….

Assim como todos os pequeninos cujas mães choram nos grupos de apoio virtuais e nos blogs, na Internet; assim como Tu, meu Amor, tão pequenino, tão querido, com tanto para viver, porque é que te tiraram de cá? Porquê?…

 

A mãe chegou à conclusão que a morte não é o castigo, mas sim a recompensa…

… castigo é viver aqui o resto da vida sem ti…

 

Amo-te muito, muito, sempre.

 

 

(…e já passaram 8 meses. 8 meses sem ti, Filho…)

 

 

 

 

 

Posted by carlafeitor in 00:35:03 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, July 13, 2005

“ Nossos Filhos são como navios: não desapareceram no horizonte, apenas nossa vista não pode alcança-los.”

 

Mensagem de Regina Helena, membro do grupo

 

Dordemãe 

 

Amo-te,

muito,

 sempre,

para sempre,

Rafael!…

Posted by carlafeitor in 00:11:38 | Permalink | Comments Off

Friday, July 1, 2005

…mais anjinhos…

…Mais dois…

Em dois dias, foram mais dois meninos para o pé de ti… mais dois anjinhos… um, com catorze meses, a cabacita mais pesada que o resto do corpo, já não conseguiu sair de dentro do balde onde caiu. Ainda lutou contra a morte até ao hospital, mas perdeu…

O outro, com quase três aninhos, ia de férias, um camião descontrolado roubou-lhe a vida, a ele e à bisavó…

 

Quando fui hoje levar-te flores lá estava a mãe dele, debruçada sobre ele como eu estive sobre ti; as mãos dele e a carinha, de tanto serem acarinhadas e beijadas, deviam de estar quentinhas, como estavam as tuas; a família e os amigos nem deviam de estar a acreditar em tamanha monstruosidade, tal como eu e todos os teus amigos não acreditávamos…

 

Eu não consegui olhar bem para a mãe do menino. Queria, mesmo sem a conhecer, ter ido abraçá-la, chorar com ela, tentar confortá-la… mas mal consegui olhar lá para dentro… Suponho que ela não conseguisse chorar tanto como queria, gritar, arrancar cabelos, partir coisas, dar murros, sei lá mais o quê que me apetecia fazer… e no entanto, as lágrimas teimavam em não querer sair, tamanho foi o choque que eu apanhei…

 

Na manhã anterior, quando a mãe ia, como sempre, levantar-te da caminha, (estavas tão bem na véspera, tão sereno, tão bonito!…) e viu aquele fiozinho de sangue no nariz, não foi capaz de fazer ou dizer mais nada… Eu só abraçava o teu corpo (provavelmente já lá não estavas) e dizia: “ai meu Deus… ai meu Deus…”

 

Ai Filho, foi tão mau… tão desesperante, o sentimento de impotência, desorientação, pânico, sei lá… Só sei que nenhuma mãe (ou pai, avós ou tios) devia passar por isto, é contra-natura, é absurdo e é uma injustiça…

…e a saudade que fica é tão grande, tão grande…

 

…AMO-TE MUITO, RAFAEL…  

“Anjos  músicos”

Posted by carlafeitor in 22:51:36 | Permalink | Comments (4)